02/01/2011

Rumo a China, rumo a mais um grande objetivo, rumo a mais um ponto de plenitude.

Depois de 2 semanas de viagem, deixei 1/3 dos meus dias somente para Beijing, o país que me esta atraindo e criando as melhores ilusões ultimamente. Desde cedo já estávamos Fukita, Alex, Sascha e Eu na estação de trem que desta vez leva bandeira chinesa. E La estava ele as 06:30am, 45 minutos antes de sua saída luzindo seus grandes vagões verde escuro. Desafortunadamente Alex e Eu ainda tínhamos dinheiro Mongol e tentamos gastar na estação o que não foi possível fazer em totalidade, e ali já não havia possibilidades de troca de moedas. Sorte do meu sobrinho Joao Victor que esta aumentando seu acervo de moedas do mundo. Contando com a compania de Fukita entrei no vagão 8, enquanto Alex e Sascha foram para o vagão 6. Nossa classe era mais espaçosa, pois tivemos que comprar em cima da hora e as hard sleeper mais econômicas, já estavam esgotadas. Este foi o trecho mais caro para mim e o valor escapou completamente ao meu estimate. Entrando no vagão, o comissário nos levou a nossa cabine numero 7, onde ainda não havia ninguém além de nós. Nos acomodamos e poucos minutos depois, chegou a simpática Anya, uma jovem Biomédica da Mongólia que se dedica a pesquisas no Hospital de Beijing. Papo agradável, ela fala muito bem Ingles e nos simpatizamos desde o começo.

O trem começou a andar pontualmente, e nesta hora já engatei num sono pesado que foi resultado da “grande” cama que me sentou muito bem. Sono este que foi interrompido por uma forte dor de estomago, que me parece ter sido resultado da grande quantidade de chá composto de leite que tivemos que tomar a cada visita que fizemos no deserto da Momgolia. Boa oportunidade para conhecer o toilete deste trem, que desta vez estava horrivelmente sujo. Os chineses que freqüentam o trem, utilizam o vaso sanitário de uma forma muito rara, eles apóiam os pés nas bordas e ficam de cócoras…r.s..rs.. Sorte que eu levava álcool em gel em meu Survival Kit e tive que higienizar por completo o banheiro, fato este que se repetiu mais vezes durante a viagem, a te que eu me recuperasse a 100%. Passamos bom tempo conversando na cabine e decidi visitar Alex em seu vagão, e foi ai que me interei que Sascha também estava muito mal, e concluimos que o chá realmente não possuía nenhum processo de filtragem e não queríamos adivinhar de onde vinha a agua das casas nômades…….

Fukita é uma pessoa muito bacana e curiosa. Com seus 50 anos e uma simplicidade que não tem igual, nos entendemos muito bem apesar de seu inglês muito limitado. A toda hora ele estava com a maquina preparada para uma nova captura, e quando encontrava algo interessante, me chamava para poder registrar também.

A imagem pela janela agora, é completamente diferente, um horizonte deserto as vezes dando impressão de estar na Africa pelos milhares de veados que correm assustados com o barulho do trem. Deu pena de ver alguns deles enroscados na cerca e saber que não sobreviveriam ao inóspito frio noturno. As vezes também podia avistar alguns camelos que apareciam caminhando tranquilamente pelos campos de areia, e em meio ao nada longe de tudo, se viam os “ger” isolados do mundo, como os que visitei em Ulan Bator.

A noite chegou e era hora de um novo controle de fronteira. Banheiro trancado, passaporte, algum tempo de espera, desta vez menor que os da Russia, e já estávamos livre para sair da Mongolia e afrontar ao controle Chines. Na saída da Mongolia, os soldados em formação linear prestavam continência ao trem. Estava a poucos KM da China, o país que ronda meus sonhos e meus futuros projetos. E La estava olhando pela janela a chegada a Erlian, que com seus letreiros luminosos nos dava a Bem Vinda ao grande trem que cruza a transmongoliana. Novamente burocracia, mas desta vez com um pequeno susto: Como tenho o visto da China no passaporte antigo, apresentei os dois passaportes ao oficial que bastante confundido me pediu que vestisse o calçado e a jaqueta e o acompanhasse. O pessoal da cabine ficou tenso e eu muito mais, tensão esta aliviada quando o chefe superior analisando que não havia nenhuma anormalidade me deu o “ok” que foi seguido de muitas desculpas por parte do oficial menor. Voltando a cabine fiz uma pegadinha dizendo que teria que voltar a Mongolia…rs..rs. Passando pelo controle, é um dos momentos mais curioso da viagem. Como os trilhos de trem da China possuem uma largura diferente o trem tem que passar por um processo de troca do carril, operaçao esta que se realiza com todos os passageiros dentro. E realmente é muito impressionante, o trem entra em uma grande garagem onde com fortes trancos os vagoes sao separados permanecendo em duas filas. Cada vagao é levantado por uma espécie de elevador e permanece no alto até a chegada dos novos trilhos que sao facilmente acoplados.

Agora já no KM 7713 de minha jornada e pouco mais de 149 horas em trem nos últimos 15 dias, tenho a certeza que o melhor de tudo, a parte dos pontos de plenitude como o Baikal e um mais que esta por vir, eu encontrei pessoas que todas possuem muitas qualidades, todas elas com uma historia, todas amigáveis e abertas , posso dizer que tive muita sorte, pois as vezes andando pelo trem vejo que a qualidade das pessoas que dividiram a mesma cabine que eu, superam as demais. Talvez isto seja advindo da interação criada, mas eu não trocaria estas pessoas por nenhuma outra neste caminho.

Sigo enormemente agradecido, e os próximos 5 dias prometem muitas boas e novas experiências.

El pase de diapositivas requiere JavaScript.

Anuncios