31/12/2010 – Todos acordados na sala do Hostel, cada grupo com um destino diferente. Edu e Anna junto com o casal de Suissos íam em direçao Sul, rumo ao frio e hinospito deserto do Gobi em uma aventura de 8 dias onde a palavra conforto nao existe…….. banheiro tambem nao…rs Enquanto Alex e Sasha, Fukita e Eu íamos em direçao norte rumo ao Parque Nacional Gork-Terelj onde pudemos almoçar em um “Ger” que nada mais que uma espécie de tenda com uma estrutura fantastica que supera os mais arduos invernos. Realmente foi um grande impacto em imaginar que varias familias na Mongolia, ainda mantém este costume. A entrada possue uma porta a meia altura e neste compartimento eles armazenam carne, e tudo mais que se pode congelar, passando por esta porta entramos diretamente na sala-cozinha-quarto, ou seja, tudo junto e misturado. Apesar da simplicidade, o clima é muito aconchegante e apesar dos -20graus no exterior, a parte interna era aquecida por um agradavel fogao a lenha que é praticamente o coraçao da casa e o item mais importante deste acampamento. Se querem saber sobre o banheiro… hummm…… nada muito agradavel. Do lado de fora a uns 50 metros da casa, uma cabana de madeira construida sobre uma fossa onde no centro do “chao” tem uma fenda…….. nao precisa continuar né.!!!! Sorte que é inverno pois nao quero imaginar o olor deste ambiente no verao….. Enquanto a anfitria cozinhava nosso almoço, fomos caminhar em direçao a um monastério que esta estratégicamente cravado entre as montanhas. Seu nome é “Templo Branco” e esta em meio a 3 grandes montanhas de frente a um grande e maravilhoso vale. Este templo nao é aberto no inverno, mas pudemos subir até ele para apreciar a tranquilidade e o silencio daquele local.

Deixamos o “Ger” logo depois do almoço, e aí tivemos um grande susto-aventura. Nosso motorista era completamente louco, estilo Jackie Chan no filme Taxi, e para chegar ao acampamento onde íamos passar a noite tinhamos que ir deserto adentro, só que isto em uma Van com um pneu completamente careca. A neve no deserto é muito traiçoeira, pois cobre as ondulaçoes com uma capa fina e é facilmente cair em uma emboscada…… dito e feito!!! Emboscada numero 1: 30 minutos parado, tirando neve com pa e mao de baixo do carro, olhando a trajetoria do sol que em poucas horas estaria se pondo nos dando as Boas Vindas a hostilidade noturna…… deste nos livramos facil, mas mal sabiamos que 20 minutos mais tarde íriamos ter outra grande surpresa. Novamente em uma emboscada, desta vez muito maior…. Nesta hora a principio ríamos, mas acompanhando a trajetória do Sol começamos a ficar preocupados e ja nos viamos sujeitos a passar o ano novo ali, naquele descampado que ja estava insuportavelmente frio…. O ponto positivo que tive a oportunidade de ver o pôr do sol mais bonito de todo este ano, e quando ja estavamos com as esperanças perdidas e ja completando uma hora de trabalho pesado do motorista, que sem luvas e sem gorro tirava a neve de baixo do carro como se estivessemos no verao, e contando com uma força incrivel de nós 5 empurrando a van ladeira acima, nos livramos desta trampa…

Chegamos no acampamento onde iamos passar a noite, era 18:00 e a noite ja estava reinando nos horizontes. Desta vez chegamos num acampamento formado por 3 “ger” e uma humilde familia que a primeira vista parece que pararam no tempo e durante dia tras dia trabalha no campo com sua criaçao de ovelhas, que é seu unica fonte de renda a parte de receber turistas em sua humilde instalaçao. Estavamos muito cansados e realmente nao nos davamos conta de que era dia 31/12. Aquele lugar estava longe de tudo, ali vivem 6 pessoas que como unica distraçao têm uma Televisao com frequencia sintonizando 1 unico canal e sua energia dependia de grandes baterias que ocupavam um importante espaço sob a mesa.

Neste momento aproveitamos para provocar uma grande interaçao entre nós, pois dos 3 “ger” nos direcionaram ao da esquerda onde seu aconchegante espaço e a lareira que nao parava de queimar lenha, nos deixaram a vontade e espantou o frio que trouxemos do lado de fora da cabana. Conversamos bastante: Alex de Londres que trabalha no ramo da psicologia e resolveu tirar 6 meses de férias onde somente no primeiro mês podera contar com  a agradavel compania de sua namorada Sascha. Fukita um professor de secundaria em uma escola proxima a Tokio que resolveu tirar 10 dias e fazer uma viagem rapida pela Mongolia além do motorista e de nossa guia que entre momentos estavam com a familia, e em momentos conosco. Resolvemos sair para ver como seria o céu naquele lugar, e derrepente levamos um grande susto!!! Milhoes e Milhoes de estrelas completamentes visiveis como se o ceu estivesse dando a volta nos horizontes e sua ultima estrela tocando o chao, a constelaçao de Osa Mayor reinando no horizonte sul desenhando o mapa de minha viagem no céu. Ficamos ali paralisados por algum tempo, mas o frio nos empurrou para dentro do acampamento outra vez. Fomos convidados pelo dono da casa a estar com eles no momento da virada do ano novo, o que nos deixou bastante agradecidos. Uma mesa simples, pessoas simples, e um momento único. Naquele momento enquanto o mundo todo com saloes de festas com entradas a preço de caviar esgotadas, milhoes de reais queimados em fogos de artificio entre outros luxos tipicos deste dia, uma mesa de 1 metro por 50 centimetros, uma garrafa de coca cola, uma espumante, dois pratos de uma salada de batata com outros vegetais, um bolo e um prato de doces….. somente o necessario para aquela familia, que hoje dia 01/01 as 5:30 da manha, ja estavam ordenando as ovelhas e a meia duzia de vaquinhas que possuem!!!……… Como se nao existisse calendario, férias, ressaca de festas ou frio………………………. E este foi meu Ano Novo junto a uma familia nomade da Mongolia, mais um que entre mil detalhes, acontecimentos e observaçoes dificeis de expor aqui, me fez crescer ainda mais e descobrir mais uma parte deste mundo em que vivemos!!!

Na volta pudemos disfrutar de um grande presente da natureza. Era mais ou menos as 8:30 da manha, enquanto no Brasil ainda era 22:30 e todos ainda estavam na expectativa da virada, entre as dunas de neve o motorista freia bruscamente pois tinha visto em seu retrovisor a pontinha do primeiro nascer do sol do ano. Baixamos da Van e ficamos acompanhando ele subir lentamente até que pudessemos ver sua totalidade aproveitar um pouco de sua energia, e seguir a viagem de volta a Ulan Bator….

Amanha 7:15am, novo trem desta vez com caminho a Pequim…. !!!!

Abaixo fotos com todo o tour que fizemos nestes longos dois dias:

El pase de diapositivas requiere JavaScript.

Anuncios